Advogado do diabo

Mercenários contratados
Por dinheiro sujo de homens que sabem culpados
Pouco lhes importa afinal a justiça
Só a carreira importa na sua mente egoísta
Servem-se de todos os meios
Jogam com a vida de terceiros
Como cobras venenosas vão contornando a lei
Num sistema que conhecem melhor do que ninguém
Metem os criminosos de novo na rua
Brincam com a minha vida e com a tua
Mandam inocentes para a cana
Com as suas mentiras fazem-lhes a cama
Advogado do diabo
Perigoso servo do poder
Quem mais tem sempre se safa
Outro qualquer se há-de foder!
Mete nojo a qualquer um
Ver tanta mentira junta
A justiça é uma farsa
E a verdade não chega nunca

Homem de barro

Caem os anjos do céu de asas queimadas pela civilização
Morrem os deuses do mar intoxicados pela poluição
Chora a terra nossa mãe enquanto é esventrada até a exaustão
E um dia o fogo virá para acabar de vez com tanta violação!
Homem de barro, os teus olhos mostram-te pouco
Génio macabro, o desejo de poder deu contigo em louco
Homem pequeno, vê o que fazes ao mundo e aos teus
A morte virá, para te levar a responder na presença de deus
Abrem-se buracos no chão para que os raios de Sol te venham queimar
Derrete-se o gelo dos pólos para que o chão que pisas se possa afundar
As nuvens bebem o teu veneno e oferecem-te em troca chuva corrosiva
Andas a brincar com o fogo e vais acabar por pagar com a vida
O fogo virá das fendas do firmamento!
O fogo virá e de nada vai servir todo o teu armamento!

Bomba relógio

Acordar mais vez de boca seca
Com uma ameaça de bomba na cabeça
Num quarto escuro com cheiro a bafio
Ouvindo os barcos a passarem no rio
Quilhas de ferro cortando a corrente
Deixando uma esteira de espuma salgada
Chegam e partem constantemente
Quebrando o silêncio desta madrugada
Talvez amanhã tu possas voltar
Repito para em busca de calma
Talvez amanhã tu possas matar
O nada que me enche e atravessa a Alma
Sentado na cama, cigarro na mão
Testo a sanidade no rasto do borrão
E o fumo que entra não enche o vazio
E o tremor do medo funde-se ao do frio

Plano de fuga

Aqui vou eu de novo à procura
de palavras que me satisfaçam
Hoje não tenho ódio para dar
é de coisas boas que vos quero falar
Nem tudo tem de ser sempre tão preto
não vale a pena torturar-me mais
Hoje não tenho ódio para dar
nem tenho vontade de o ir procurar
Quero falar do que tenho escondido
Este tempo todo não sei bem porquê
Das coisas perfeitas que há no mundo
E do prazer que dão quando alguém as vê
E há tanta coisa boa se fores capaz de ver
Para lá desta loucura que nos obriga a correr
E há tanta coisa que nunca imaginamos
Para desta loucura eu quero ir à procura
Eu quero ir anda comigo
viver a vida que nos tem fugido!
Nesta teia de condicionamentos,
que tenta matar os nossos sentimentos
Procura uma falha que nos deixe escapar
Eu sei que ela existe em qualquer lugar
Homens que se atropelam
Que se matam, que se esfolam
Que se esmagam na ganância
De trepar até ao topo
Homens que se enganam
Que se iludem, que se perdem
Que se esquecem e que trocam
esta vida por tão pouco!